03/04/2026

A população de Paranaguá não merecia passar tantos anos sem o Desfiles das Escolas de Samba.

Por Joel Mattanó

Paranaguá resistiu em silêncio até o samba voltar à avenida.

Para quem ama o Carnaval, esse período foi marcado por tristeza, silêncio e saudade. Enquanto outras cidades, muitas vezes de menor expressão cultural e histórica, mantinham viva a tradição carnavalesca, Paranaguá uma cidade rica em cultura, identidade e história assistia de fora, sem entender por que o seu Carnaval havia sido interrompido.

O vazio deixado pela ausência dos desfiles das Escolas de Samba em Paranaguá

Foram anos difíceis para sambistas, comunidades e apaixonados pelas escolas de samba. Pessoas que passam o ano inteiro esperando esse momento, que vivem o Carnaval muito além de fevereiro, sentiram a dor de não ver suas cores na avenida, seus sambas ecoando, suas bandeiras tremulando. Faltava o brilho, faltava o batuque, faltava a emoção que só o desfile das escolas de samba é capaz de proporcionar.

O Carnaval é mais do que festa: é pertencimento, é memória, é resistência cultural. Em uma cidade turística como Paranaguá, com tradição reconhecida e que sempre atraiu visitantes de todo o Paraná para assistir aos desfiles, a ausência do evento representou uma perda cultural e emocional para toda a população.

Após seis anos, essa espera chega ao fim. No dia 15 de fevereiro (domingo), a partir das 20h, na Rua da Praia, Paranaguá volta a pulsar no ritmo do samba com o retorno oficial do desfile das escolas de samba.

O evento é realizado pela Prefeitura de Paranaguá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secultur), em parceria com a Associação das Escolas de Samba de Paranaguá (AESP).

Quatro escolas entram na avenida para disputar o título e, principalmente, para devolver à cidade aquilo que nunca deveria ter sido tirado: União da Ilha dos Valadares, Leão da Estradinha, Unidos da Ponta do Caju e Filhos da Gaviões.

As agremiações vivem um período intenso de preparação, com sambas-enredo, ensaios constantes e comunidades mobilizadas. Cada fantasia costurada, cada passo ensaiado e cada batida de tambor carregam anos de espera, de esperança e de amor.

O amor que entra na avenida

Representar uma escola de samba não é apenas desfilar. É carregar no peito a história da comunidade, é honrar quem veio antes, é transformar suor em brilho e saudade em alegria. É esperar o ano inteiro por alguns minutos na avenida, onde o coração bate no compasso da bateria e a emoção toma conta de quem desfila e de quem assiste.

Quando a escola entra, não é só samba que passa, passa a vida de quem nunca deixou de acreditar no Carnaval de Paranaguá.