15/02/2026

Se, para alguns, o Carnaval é sinônimo de uma época de gastos, para outros, a folia é uma oportunidade para garantir renda extra. Segundo especialistas em negócios e vendas ouvidos por PEGN, o feriado pode render bons resultados até mesmo para aqueles que dispõem de pouco ou nenhum capital para investir em um projeto para o período. A principal recomendação é analisar as demandas e apostar na criatividade.

No Carnaval de 2026, a expectativa é que mais de 65 milhões de foliões saiam às ruas em todo o Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério do Turismo. Na economia, a projeção é de uma movimentação de R$ 14,48 bilhões, podendo ser o maior montante desde o início da série história iniciada em 2013, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

“O Carnaval é uma grande oportunidade para empreender com pouco capital. Pensando nas necessidades do público que frequenta blocos e carnaval de rua, o foco é na conveniência para resolver um problema pontual de conforto ou estética”, diz Sandra Fiorentini, consultora de negócios do Sebrae-SP.

Para te inspirar, PEGN separou seis ideias — e várias dicas — para conquistar renda extra nas próximas semanas. Confira.

1. Customização de roupas e abadás
Para quem leva jeito com trabalhos manuais, oferecer customização de roupas e abadás é uma ideia com potencial para bons resultados no período. Segundo Fiorentini, os serviços na época de Carnaval apresentam valor agregado pelo tempo e talento de quem os oferecem, não pela matéria prima. Na prática, isso que significa que é possível apostar em materiais de baixo custo que possam garantir resultados alinhados com a demanda do período, como artigos que ofereçam brilho e movimento às peças.

2. Maquiagem rápida nos blocos e festas
Seja para quem conta com mais habilidades ou para quem está disposto a aprender algumas técnicas simples, a oferta de serviços de maquiagem é outra alternativa para garantir renda extra no feriado. De acordo Juliana Morais, professora convidada da Fundação Dom Cabral (FDC), o foco deve ser a agilidade e busca por solucionar a dor do potencial cliente dentro do contexto de festas e blocos de rua.

“O Carnaval é marcado por grande fluxo de pessoas e demanda por soluções rápidas”, diz Morais. Por isso, é possível pensar em opções que podem ir de maquiagens simples, pinturas faciais e até mesmo a aplicação de glitter. “É a economia da experiência. As pessoas querem brilhar nas redes sociais e quem oferece esse ‘up’ no visual em 5 minutos ganha o cliente pela agilidade e pelo resultado”, acrescenta Fiorentini.

3. Produtos de conveniência
Em meio à multidão, calor e até chuva, alguns produtos podem ter grande procura durante as festas. De acordo com os especialistas, algumas opções de itens de conveniência para o Carnaval são: leques, bonés, óculos capas de chuva, protetor solar, copos reutilizáveis, pochetes, carregador de celular, kit de primeiros socorros (como curativos para machucados) e acessórios.

Vale lembrar que as vendas podem ser feitas de forma antecipada, por canais físicos ou digitais, ou durante a folia. Para quem quer vender nas ruas, é necessário ter em mente que cada cidade conta com regras específicas para o comércio em vias públicas. “É necessário verificar a questão de autorizações da prefeitura e permissões para comercializar produtos e serviços no local escolhido pelo empreendedor, isso evita prejuízos e apreensões por falta de conhecimento, entre outras ‘dores de cabeça’”, afirma Leonardo Lima, docente da área de Marketing e Vendas do Senac São Paulo.

4. Bebidas
Mesmo com a ampla oferta, a demanda por bebidas pode tornar a opção interessante para quem quer fazer renda extra. “Algumas opções bastante viáveis são a venda de bebidas de alto giro, como água gelada, refrigerantes e cerveja, sem necessidade de grandes inovações”, diz Morais.

Assim como para a venda de produtos de conveniência, quem pensa em vender bebidas durante a folia deve estar atento às regras do município, que muitas vezes podem ter orientações específicas para o Carnaval, no caso de locais com blocos de rua. Assim, é necessário consultar a prefeitura da cidade para conferir o que é necessário fazer para trabalhar legalmente.

5. Alimentos

Além das bebidas, outra opção é a venda de alimentos. Para esta categoria, a dica dos especialistas é apostar em opções práticas. Algumas das sugestões são: brownies, sanduíches, brigadeiros, bolos de pote, sorvete, geladinhos (de doces, frutas ou versão alcoólica) e espetinhos ou potinhos de saladas de frutas.

“O empreendedor vai precisar apenas de um freezer ou caixa térmica, ingredientes simples. […] O segredo aqui é o capricho na embalagem e a higiene. No meio da folia, o cliente compra com os olhos e pela confiança que o vendedor passa”, diz a consultora do Sebrae-SP.

6. Aluguel de infraestrutura
Para quem conta com comércio ou ponto residencial em locais próximos às festas de Carnaval, outra opção é alugar “funcionalidades” do espaço, como o uso de banheiro, tomadas para recarga de celular ou área para guarda-volumes. “Muitas vezes a oportunidade está dentro de casa. Oferecer um ambiente seguro para carregar o celular ou um banheiro limpo é um serviço de utilidade pública no Carnaval”, diz Fiorentini.

Como saber qual é a melhor opção para você
“Não existe uma ideia universalmente boa, existe a ideia mais adequada ao momento e ao perfil de cada pessoa”, aponta a professora da FDC. De acordo com os especialistas, para escolher um caminho para empreender e fazer renda extra no Carnaval, estes são alguns dos aspectos que devem ser considerados:

Capital: o primeiro passo é analisar de quanto dinheiro você dispõe para investir na sua ideia sem comprometer sua estabilidade financeira e o que é possível fazer, na prática, com o montante;

Tempo: a quantidade de tempo disponível por dia, antes e durante o Carnaval, é outro fator essencial. Por exemplo, para quem dispõe de mais tempo antes do feriado, os trabalhos de customização são um caminho mais interessante do que para quem estará disponível apenas durante a folia, que pode preferir produtos prontos para a venda nas ruas;

Localização: poder ou não estar fisicamente presente onde a festa acontece é outro aspecto que pode interferir na escolha pelo melhor empreendimento. Além disso, é durante esta avaliação que se deve considerar eventuais dificuldades ou facilidades logísticas para transportar produtos ou reabastecer estoques;


Habilidades prévias:
em pouco tempo, pode ser difícil desenvolver uma nova habilidade. Por isso, a recomendação é priorizar atividades que já envolvem coisas nas quais você sabe que é bom, como trabalhos manuais ou boa comunicação para vendas na rua.

Atenção aos preços
A precificação adequada é um pilar fundamental para garantir o sucesso do empreendimento. Para quem precisa definir o preço dos produtos ou serviços de forma rápida, Fiorentini recomenda o método simplificado dos três terços. “Ele garante que você não pague para trabalhar e que o negócio se sustente até o último dia de folia”, diz.

Para colocar o método em prática, a especialista recomenda que você imagine que vai vender uma unidade de produto (uma lata de cerveja, um adereço ou um sacolé, por exemplo). O preço final deve ser dividido, mentalmente, em três partes iguais:

O primeiro terço: custo de reposição. É o valor que você pagou pelo produto. “Esse dinheiro é “sagrado”, pois é ele que permite que você compre o estoque de amanhã”, afirma.

O segundo terço: custos operacionais e perdas. Aqui entra o gelo, o transporte, a taxa da maquininha de cartão e, principalmente, a margem de perda (o gelo que derreteu, a lata que amassou ou o glitter que caiu no chão).

O terceiro terço: o seu lucro. É o pagamento pelo seu trabalho e pelo seu tempo.
Ela indica um exemplo prático: Se você compra uma água por R$ 2, o cálculo rápido seria R$ 2 (produto) + R$ 2 (operação/perdas) + R$ 2 (lucro) = preço sugerido: R$ 6.

“No Carnaval, os custos invisíveis são altos. Se você cobrar apenas o dobro do que pagou (o famoso ‘compro por 2, vendo por 4’), a taxa do cartão e o custo do gelo vão comer todo o seu lucro. Trabalhar com a margem de três vezes o custo inicial protege o pequeno empreendedor contra os imprevistos da rua”, aponta Fiorentini.

Além disso, é necessário sempre ficar de olho na concorrência, já que a precificação no Carnaval também é ditada pelo mercado local. “Se o seu cálculo deu R$ 6, mas todos ao redor vendem a R$ 5, você terá que ganhar na eficiência (gastar menos com gelo ou transporte) ou oferecer um diferencial (água muito mais gelada ou aceitar todas as bandeiras de cartão)”, ressalta a consultora de negócios.

Cuidados
Além do preço, outros cuidados também devem estar no radar do empreendedor. No caso das vendas nas ruas, os especialistas indicam que o primeiro passo é ficar atento às regras municipais para garantir que a atividade esteja em conformidade com a lei.

Para as vendas de bebidas ou comidas outro aspecto que não pode ser desconsiderado é a higiene. “A higiene deve ser prioridade, com mãos limpas e produtos bem armazenados, pois isso transmite confiança e pode ser mais decisivo que um preço baixo”, afirma Morais.

Além disso, para garantir a viabilidade das vendas, Lima ressalta que é necessário se atentar a facilidades para o cliente na hora de realizar o pagamento, como: troco, máquinas de cartão e chave pix (até mesmo um QRcode impresso pode agilizar este processo). “Essa organização facilita os atendimentos e o giro nas vendas”, afirma o docente do Senac.